sexta-feira, 27 de maio de 2016

nunca sei de nada

quando tá tudo tão transparente
todo mundo se olhando, sacando
tá claro pra todos em volta
eu ainda estou ali
esperando alguém me contar
com todas as letras
esse negócio de sacar não dá
fico horas viajando
rindo sozinha da vida
achando uma coisa ali
outra coisa aqui
tudo não passa de achismo
quando falam “você sabe...”
eu já vou logo soltando uma gargalhada
vocês é quem sabem
porque eu to aqui ainda
sem saber de nada
e se por acaso um dia
você achar que sei de algo
lembre-se sempre
nunca sei de nada.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

AMANHÃ

por mais que eu pense
e por mais que eu queira
o dia não será normal
a vontade será imensa
terei que me controlar
e ninguém vai pedir isso
vou me esforçar por mim
viver de passado é tão cafona
talvez eu faça o que não devo
manterei em segredo se fizer
ou simplesmente irei conseguir
mas de todas as maneiras
estarei pensando em você
assim como penso sempre
nesse dia pensarei ainda mais
eu sempre arrumo pretextos
desculpas sempre são criadas
justificar o meu amor
não faz dele menos patético
muito pelo contrário
quero que seja diferente
quando falo de “amanhã”
me refiro ao futuro
isso tem que acabar
e daqui pra frente
todos os dias serão lutas
e nenhum dia será
como o de amanhã. 


repetição

teus olhos em outro alguém
um pouco do sorriso em outra alma
insiste em mudar esse cabelo
eu sempre digo ser bonito
(de qualquer jeito)
outro alguém
história parecidas e tão diferentes
não quero isso de novo
deve ter alguém ou algo querendo
me jogando para um labirinto -
que não tem saída
ainda há coração aqui dentro
e uma cabeça que tenta controlá-lo
tento não deixar a faísca virar fogo
começo a chamar aquele gelo
que morou tanto tempo
dentro de mim.  

indiretamente

aquele bosque nunca mais foi o mesmo
passou a ter nome, sobrenome e data
ir lá significa sentimento
porque aquele bosque não é qualquer bosque
te vi lá por esses dias, fugi
as vezes passo por lá
se tiver vazio, eu fico
olho para todos lados
me inquieto o tempo inteiro
não consigo muita tranquilidade
mas teimo em ir naquele bosque
é nele que sinto o coração bater forte
é lá que não sinto frio
porém aquele bosque
só cabe um de cada vez.  

poesia de uma crônica

Consideravelmente
grande a sua história
até detalhista
ousaria dizer
porém, na sua história
eu sou a moça do café
que quase ninguém
dá bom dia
e você diz por educação
eu sou essa moça do café
que você – as vezes -
quando tem tempo
pergunta como está
sou a moça que ninguém
lembra no dia a dia
mas de vez em quando
precisa de alguma informação
eu sou a moça
que se for substituída
por outra moça
continuará a mesma coisa.